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A Dor Neuropática

A Dor Neuropática

A dor é uma das causas mais frequentes de consulta médica, representando aproximadamente 25 a 50% das consultas de cuidados de saúde primários.

Em 2001, em Portugal, foi criado o Plano Nacional de Luta Contra a Dor. Foi definido que: “dor é, pela sua frequência e potencial para causar incapacidade, um verdadeiro problema de saúde pública, que justifica, a bem da promoção da redução das desigualdades, da qualidade de vida e da humanização dos cuidados de saúde, uma atuação planeada, organizada e validada cientificamente que promova boas práticas profissionais na abordagem da dor”.

A prevalência exata de dor neuropática na população mundial é desconhecida, embora esteja estimada entre 1 a 5%. Admite‐se ainda que a componente neuropática possa estar presente em 35% de todas as síndromas dolorosas.

A Associação Internacional de Estudo da Dor define dor neuropática como: “Dor iniciada ou causada por uma lesão ou disfunção primária do sistema nervoso” (central, periférico, incluindo o sistema nervoso autónomo). A dor neuropática pode localizar‐se a qualquer nível do sistema nervoso. Assim, a dor neuropática periférica ocorre quando a lesão ou disfunção primária está localizada no sistema nervoso periférico (SNP), ao contrário da dor neuropática central, cuja origem está no sistema nervoso central (SNC).

Padrão típico da dor neuropática periférica:

  • Dor ao longo de parte ou todo o trajecto do nervo/ raíz – IRRADIAÇÃO- do tipo choque eléctrico, descarga e queimadura.
  • Presença de alodínia (dor face a um estímulo não nociceptivo).
  • Sensibilidade ao frio/ calor
  • Agrava com movimento, estiramento e palpação nervosa.
  • Fraca resposta a analgésicos “convencionais”.
  • Associada a sensações anormais (disestesias e parestesias), normalmente fáceis de localizar.

Padrão típico da dor neuropática central:

  • Dor difusa
  • Sensação de queimadura
  • Dor ao frio
  • Associada a parestesias
  • Sensação de aperto ou compressão
  • Disestesias

O circuito neuronal envolvido no processamento da dor é composto por um complexo equilíbrio entre as vias sinalizadoras e moduladoras do estímulo doloroso que estabelecem a ligação entre o SNP e o SNC. A capacidade de transmissão do estímulo nociceptivo pelo SNP no local da lesão tecidular constitui uma proteção vital contra a ameaça de lesão adicional. A alteração deste mecanismo protetor por doença, medicamento ou traumatismo pode desenvolver dor crónica.

Alguns tipos de dor neuropática localizada:

  • Neuropatia diabética,
  • Dor pós‐mastectomia,
  • Dor pós‐toracotomia,
  • Dor membro fantasma,
  • Radiculopatia crónica ‐ cervicalgia,
  • Neuropatia pós‐traumática,
  • Síndromas compressivas (síndroma túnel cárpico, síndroma túnel társico, síndroma túnel cubital, compressão nervo peroneal),
  • Nevralgia de Morton,
  • Neuropatia isquémica, entre outros.

A Fisioterapia tem um papel muito importante no tratamento da dor neuropática. Com técnicas especificas, ajuda no movimento da zona da lesada, evitando assim atrofia muscular; ajuda a manter, ou até aumentar, a amplitude de movimento nas articulações; ajuda na diminuição da sensibilidade da área afetada pela dor.

Tudo isto no sentido de os nossos pacientes se sentirem melhor e terem melhor qualidade de vida, sem que a dor seja uma incapacidade para as atividades da vida diária.

 Manuel Ferreira

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